Terça-feira, Fevereiro 19, 2008

O futuro da actual ministra da Saúde está traçado se não alterar a política de Saúde

Artigo de Opinião publicado no Correio da Manhã a 03 de Fevereiro de 2008:

Eis o retrato da emergência médica de um País civilizado, de um verdadeiro Serviço Nacional de Saúde:Emergência Médica: Bom-dia. Familiar da vítima: Estou a falar da freguesia de Castedo, Alijó. EM: O que é que se passa aí? FV: Tem que vir cá a Guarda. EM: Por que quer a ambulância? Olhe, quer uma ambulância aí em sua casa? FV: Vale mais a Guarda. EM: Mas quer a Guarda ou uma ambulância? Olhe se é só a autoridade que quer, vai desligar e voltar a ligar para o 112 e pede a autoridade; se há pessoas feridas eu mando-lhe uma ambulância. FV: Não, não, morreu. EM: Morreu? É um homem ou uma mulher? FV: Um homem. EM: E ele já estava doente ou foi agredido? Doente com quê? FV: Caiu. EM: Ao descer as escadas caiu? Foi hoje a queda? FV: Foi, agora de noite; deitou muito sangue pela boca. EM: E o senhor disse que ele morreu? Ele não respira? [ ] O senhor para me dizer que o seu irmão faleceu, está tão calmo; o senhor não está a brincar com o 112, pois não? Neste momento o seu irmão não se mexe, nem respira. FV: Não, não, está morto. EM: Então o que é que pretende aí? Ambulância e autoridade, é isso? E por que é que quer a autoridade? FV: Não se pode tocar nele. EM: Pronto, aguarde a chegada. [ ] EM: Estou, Bombeiros de Favaios? Uma saidinha para Castedo; a VMER de Vila Real é mais próxima, não é? BF: Sim, Vila Real, porque a de Alijó já está fechada. EM: Doutor, a VMER demora ¾ de hora, mas também não tem SAP aberto; não há nenhum centro de saúde aberto, pois não? BF: Não, aqui está tudo fechado [ ]. EM: Vou mandar a VMER de Vila Real. BF: E o que é que eu faço? EM: Vou passar- -lhe a VMER de Vila Real para ajudar a indicar o caminho. BF: Espere, que eu não tenho aqui caneta. EM: Valha-me Deus! BF: Não sei como vou explicar o caminho; o que é que eu faço? EM: Estou a falar para uma corporação de bombeiros, não é? E pergunta-me a mim o que vai fazer?! Nunca tal me aconteceu. [ ] Claro que tem de ir para o local com a ambulância. BF: Estou sozinho, não tenho mais ninguém comigo. EM: E o que vai fazer uma ambulância sozinha de emergência? Não arranja aí ninguém? BF: Quem é que eu vou arranjar agora? EM: Eu não estou a acreditar nisto, o gajo está sozinho, pergunta-me ele ‘o que é que eu faço’. Fazer uma emergência só com um tripulante? Só fica o senhor de noite na corporação? Então e se há um incêndio? [ ] B.Alijó: Tenho de tocar a sirene. Pronto, vou chamar um colega e vou já, está bem?Esta conversa durou mais de dez minutos. Pobre da vítima, se não estivesse mesmo morta, ‘devidamente certificada’ pela EM ao telefone, teria morrido só de ouvir este diálogo.Isto passou-se no Portugal de Abril, no séc. XXI, no Portugal da modernidade e das grandes obras de construção civil. Passou-se entre pessoas vítimas do sistema, sem formação adequada para o exercício destas delicadas funções. Este é o País real e profundo.É verdade que existia um crónico défice do Serviço Nacional de Saúde que Correia Campos estancou. Mas a saúde são também as pessoas que dela necessitam e não pode ser só vista numa óptica economicista.

A reforma das Urgências deve ser feita com mais prudência, assegurando mecanismos alternativos, o que, parece, não foi feito.As trapalhadas do socorro pré-hospitalar, como a do excerto relatado, só podiam conduzir à demissão do ministro da Saúde. As populações tinham razões nos protestos. E o futuro da actual ministra da Saúde está traçado se não alterar a política de Saúde, pois não adianta mudar, apenas, o estilo.



Rui Rangel, Juiz

Quarta-feira, Janeiro 09, 2008

Encerramento do SAP de Alijó

A Assembleia de Freguesia de Castedo aprovou, na última sessão, por unanimidade a Moção que abaixo se apresenta.

MOÇÃO

SAP de Alijó
Considerando que:
- Está em curso a reorganização dos serviços de urgência / emergência, pelo que, é sabido que o Governo apenas pretende deixar em funcionamento 1 urgência (SAP) em todo o Distrito (Montalegre), para além do Centro Hospitalar de Vila Real. Tendo como consequência imediata o encerramento do SAP de Alijó, já a partir do próximo dia 28 de Dezembro de 2007;- Está em curso a construção do novo Centro de Saúde em Alijó, pelo que uma valência com as condições como a que a nova infra-estrutura vai ter, comporta plenamente um SAP durante 24h. Por outro lado, não deixa de ser um desperdício de dinheiros públicos, o investimento num projecto, que no futuro só funcionará a 50%.- O eventual encerramento do SAP de Alijó degradaria ainda mais o acesso à saúde das pessoas em geral, e em particular dos utentes sem médico de família;- O eventual encerramento do SAP de Alijó (e dos restantes concelhos do Distrito) resultará numa sobrecarga inaceitável para o Serviço de Urgência do Centro Hospitalar de Vila Real;
- O SAP de Alijó não pode ser encerrado sem antes ser encontrada uma alternativa consistente para a população que recorre, diariamente, a este serviço de saúde e que, até agora, a alternativa imposta para tratar uma urgência que ocorra fora do horário normal de atendimento do centro de saúde fica a cerca de quarenta minutos de distância, não é admissível que apenas quem pode pagar um atendimento de urgência do seu próprio bolso mereça cuidados de saúde dignos.
- O Estado gasta, por dia, 20 milhões de Euros com o Serviço Nacional de Saúde, a solução para repor a sustentabilidade no sistema não pode passar por uma redução do papel do Estado no Sector.

- A população que recorre com mais frequência aos serviços de saúde públicos são os idosos e os mais carenciados, logo serão os mais prejudicados.

- A saúde deve ser um direito gratuito para todos os cidadãos e que a qualidade e a esperança de vida da população não se pode medir pelo seu bolso.
- Nesse sentido, a Assembleia de Freguesia de Castedo, manifesta-se contra o encerramento do SAP de Alijó, sem que, por um lado a referida reorganização de serviços seja colocada em prática e demonstre resultados melhores no acesso à saúde por parte das pessoas, por outro lado, sem que haja alternativas credíveis para a população à ausência do SAP.

Deve ser dado conhecimento à Câmara Municipal de Alijó e aos serviços regionais de Saúde, do conteúdo desta moção.


Castedo, 21 de Dezembro de 2007

Quarta-feira, Junho 27, 2007

Cartaz Semana Cultural 2007

Segunda-feira, Junho 18, 2007

I Passeio BTT "Douro Património Histórico"


Sexta-feira, Junho 01, 2007

I Passeio TT "Douro Património Histórico"